Palavras de amor, palavras de afeto, palavras de alegria, palavras de amizade, palavras de carinho. São tantas palavras... Palavras, palavras...


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Morreu, Depois Dismorreu.

                 
Um  certo  dia vinha da  Santa Rosa,  Osmundo Fiúza,  Aberto  Siebra, e  Zé de Bogim,  quando  descia  a ladeira da  Betanha,  Vicente  Custódio  vinha  numa bicicleta. Vicente perdeu o controle e pegou  Osmundo  de  cheio. Caiu Vicente caiu  Osmundo e a bicicleta ficou com os pneus pra cima que rodaram por mais de 15 minutos. Levaram  Osmundo para sua casa na antiga rua do Juazeiro em estado  de  morto.  Chegando   foi  aquele corre-corre. Chamaram Dr. Lemos que foi logo categórico: -  É óbito!  A  comoção foi  geral. Era choro, vela acesa,
recado  para  parentes, carpinteiro  tirando  as  medidas para o caixão e a casa
totalmente  cheia.
Osmundo por sua vez dava notícia de tudo mas não podia piscar um olho, nem
levantar  um braço.  Eu  não  sei  como  isso pode acontecer, mas quem sabe a medicina não tenha uma explicação.  Ou  talvez  o próprio Osmundo que hoje é
espírita  kardecista encontre a resposta lá na sua doutrina.
Depois  de  três  horas  de  muita aflição, chegou  Dona  Zulmira  para rezar um
terço.  Todos  os  presentes  ficaram  de  joelhos com a cabeça baixa para orar.
Foi nesse momento que o suposto finado foi ficando  corado e de repente pulou da cama e foi ficar de joelhos do  lado de  Dona  Dozinha  com as mãos postas.
Foi aí que o tempo fechou,  correu  Ana Alves, Vicença Félix,  Manoel Martins e
outros. Quando  Belizário  correu a porta já estava cheia e ele teve que pular a
janela,  em  seguida  subiu  a  ladeira,  pegou a  rua  Major Joaquim Alves mais ligeiro do que fogo de broca quando tem aceiro mal feito.
Zé Teixeira quando viu aquele desespero perguntou:
- O que foi que houve Belizário?
- Foi Osmundo Fiúza qui morreu e adispois dismorreu!


Dedico a meu grande amigo  Osmundo Fiúza, que  está aí vivinho da silva para confirmar o meu causo.

Mundim do Vale.   

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A mala


Minha irmã Francisca, meiga, mansa, boa como uma samaritana, foi passear em Fortaleza. Noiva. Foi ao encontro do querido que lá residia com a família.
 Pobre, humilde, mas uma jóia de garota.
Sempre tivemos o mesmo porte, praticamente o mesmo corpo.
Dividíamos ou somávamos nossas roupas.
Escolheu as melhores, dentre as que tínhamos e viajou.
Ficou uma semana. Divertiu-se. Curtiu praia, cinema e tudo mais que a Capital e o noivo pode oferecer. Foi um passeio maravilhoso, daqueles que se guardam na memória para contar aos netos. Tudo teria sido perfeito, não fosse a mala. Pois é. Quem diria uma simples mala estragar um passeio! Não digo o passeio, mas as recordações que deveriam ser para sempre, marcando um período em sua vida. Marcou. Não como ela gostaria que fosse. Vejam o que a vida reservou à pobre turista. Passeios, brincadeiras, diversões. A volta. Ela e o noivo tomaram um táxi que os levou à Rodoviária. Ela empolgada com o passeio, sem o hábito de viajar. O noivo experiente, vivendo na Capital. Simplesmente esqueceram a mala. Isso mesmo. Chegaram à Rodoviária de onde ela seguiria para o interior, esqueceram a mala no táxi!
Como recuperar uma mala que se vai com o taxista numa cidade grande? Talvez hoje, na era de tantos e tão modernos meios de comunicação, mas há mais de trinta anos, era impossível!
Perdemos, ela e eu, nossas melhores roupas que não serviam para o taxista. Vender, não tinha valor. Usar, não sei o seu porte, seu estilo...
Perdemos os objetos com a mala, mas erguemos a cabeça e fomos à luta conquistar novas tranqueiras. Não choramos. Chorar não resolve certas situações, mas ainda lembramos dos vestidinhos que se foram com a mala.

Artemísia

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A Gata Macaca

O grande Ariano Suassuna escreveu sobre uma gata que descomia dinheiro...
Um filósofo afirmava que “há mais coisas entre o Céu e a Terra do que possa imaginar nossa vã Filosofia”...
Hoje, numa reunião de professores que trabalham com o Projeto Autonomia Carioca, ouvi de uma Professora a seguinte estória que tem como personagens seus filhos, Bruno e Marcelo e uma gata. Calma, não comecem a pensar bobagens!
Certo dia, Bruno passando na rua encontra uma gatinha preta, sapeca, porém de uma personalidade um tanto estranha para a sua espécie. Firme em seu propósito de gata ajoelhou-se diante dele como que a pedir-lhe: ”leve-me para sua companhia”. Acolheu. Deu casa, comida e carinho. Virou a rainha da casa, metidona. Nem sai pra rua. É chamada de Macaca, não por sua cor preta, mas porque gosta muito de pular.
Uma vez fugiu de casa, voltou prenha. Teve apenas um filhote, mãe desnaturada, não amamentava. O filhote morreu.
Há na casa de Bruno uma máquina de lavar louças. Atrás da máquina fica uma imagem do Preto Velho, onde em oferenda é colocada uma taça de vinho.
A bendita Macaca com a macaca em reviravolta atrás da máquina encontra o vinho... E bebe!
Ninguém sabe do seu vício até que a encontra convulsionando. Leva ao Dr. Tamanha foi a surpresa. A Macaca estava alcoolizada.
Se tudo isso não bastasse por sua estranheza, vejam como é esquisito o mundo animal. Bruno acolheu a Macaca que acolheu o Marcelo. Sente-se triste e chora quando ele adoece.

Dedicada, com carinho, a Bruno, Marcelo e Syldéa.

Artemísia




segunda-feira, 18 de abril de 2011

"Soneto Não me esqueço Mais"




Eu me esqueci por lembrar só de você
Mas reconheço devo pensar mais em mim
Por causa disso vejo nosso amor morrer
Qualquer amor sem carinho chega ao fim

Sei que não devo mais viver só por viver
Sem alegria, pois não pode ser assim
Quem neste mundo vive pra satisfazer
Não satisfaz e acaba sendo ruim

Por isso agora, faço o que me satisfaz
Não importa se vai agradar alguém
Eu me esqueci, mas não esqueço mais

Pois sou aquele a quem mais eu quero bem
Tudo que fiz, sei que ficou para trás
Não lembram mais foi esquecido também
 
Joaquim de Souza Sobrinho
(Cuíca)
 
 

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Um sobrinho pra lá de esperto


Certa vez a minha irmã, Ana, chegou cansada do trabalho, de uma das jornadas triplas que mulher tem e encontrou a casa em verdadeiro caos. Muita sujeira. Ela sempre foi muito cuidadosa com o ambiente familiar. Lugar sagrado. Lugar de higiene. Quando ela viu toda aquela sujeira, perguntou ao filho, Airton, o que aquilo significava. Ele respondeu sem pestanejar: “mamãe, eu não posso soltar bomba na rua porque os vizinhos reclamam, o jeito que tem é soltar dentro de casa.
Artemísia

sábado, 9 de abril de 2011

...sou eu!



   
Que você me diz de um namorado que oferece uma foto ao seu amor? Hoje, na era das mais avançadas tecnologias, ninguém mais atenta para estas coisas simples, graciosas e grandiosas de ontem. Oferecer uma foto ou receber uma do seu amor era prova da mais sincera amizade nutrida entre os dois. Pelo menos era o que se sonhava, que no mínimo havia uma troca, um gesto, uma cordialidade, uma lembrança.
Quem nasceu um pouquinho atrás, lá no século passado, sabe do que estou falando. Do prazer que era olhar aquela foto, na fossa e saber que amava alguém ou era amada. Mas à vezes não é tão simples assim. Quando o broto (broto, é o novo!) chega com uma foto, ele e uma bicicleta e fala pra você: “Este da bicicreta sou eu”!
HÃ?! Não sei como me comportaria diante de um analfabeto que no mínimo estava me fazendo de idiota.
Ele e bicicreta seriam chutados pro alto na mesma hora. E foi isso que ela fez com toda sua meiguice.

Carinhosamente, dedicado àquela que escapou da queda da bicicreta.
Artemísia


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Festa de Arromba!

Dedicado à Drª Socorrinha
Minha irmã caçula, na sua adolescência, vai a uma festinha. Havia muita festa boa pelos Sítios, casamento, São João e Leilões por volta dos anos setenta e oitenta. Numa dessas festas ela  encotra um jovem cavalheiro. O tal  a chama para dançar.  Ela vai. Terminada a dança, o caboco diz: - Rami Ôta? E ela responde: - Rami Não!
Depois dessa, o namoro acabou, ou melhor, nem começou!

Com um beijo!
Bibi