Palavras de amor, palavras de afeto, palavras de alegria, palavras de amizade, palavras de carinho. São tantas palavras... Palavras, palavras...


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

EU QUERIA SER


EU QUERIA SER
UMA ABELHA ERRANTE
PARA UM VÔO RAZANTE
NA JANELA DELA


EU QUERIA SER
UM VENTINHO BRANDO
PRA DE VEZ EM QUANDO
EU BULIR COM ELA


EU QUERIA SER
A MACIEZ DA ROSA
O VERSO E A PROSA
PROS SUSPIROS DELA


EU QUERIA SER
UMA VOZ MACIA
PARA TODO DIA
COCHICHAR COM ELA


EU QUERIA SER
COMO A NATUREZA
CHEIO DE BELEZA
PROS ENCANTOS DELA


EU QUERIA TER
O PODER DE DEUS
PARA OS SONHOS MEUS
SEREM SÓ COM ELA.

Tibúrcio Bezerra

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Pensamento do Dia




Não gosto de aplaudir a tristeza. Mesmo sabendo que muitas vezes, ela nos faz companhia, quer queiramos ou não. Insisto, teimo, corro atrás da alegria, porque não concebo a vida sem ela.Caso saibamos utilizar a tristeza a nosso favor, iremos tirar disso ai, o lucro do crescimento, da motivação, do vencer as lástimas e os dissabores da existência. A vida tem condições de ultrapassar a "desalegria", porque existe o verde, o ar, a magia do sorriso... O doce e incrível dom de viver.

domingo, 8 de janeiro de 2012

AS ALPARGATAS


Alguns fins de semana, eu me encontrava como cozinheiro e assim eu fiquei sendo chamado por ele o cozinheiro. No mês de agosto de 1945, mês de festa do nosso padroeiro em um dia de sábado eu recebi dinheiro e autorização para vir à cidade e comprar um par de alpargatas (apragatas como chamávamos).
Vim a cavalo, meu cavalo muito tropeiro, comprei as alpargatas muito bonitas, feitas com pele de jacaré (eu que pensava assim, amarrei as mesmas nas correias da cela e retornei para casa. No meio do caminho entre a cidade e nossa casa, morava o nosso avô materno e era uma obrigação, tanto na ida como na volta, passarmos na casa de nosso avô. Assim o fiz, parei o cavalo, desci, amarrei o mesmo em pé de imburana e entrei para cumprimentar os avós e os tios. Tomando a bênção a todos, voltei para continuar a viagem, morto de feliz com as alpargatas. Encontrei meu tio Joaquim perto do cavalo e foi logo dizendo:
- Meu sobrinho, porque você só comprou uma alpargatas?
Eu respondi:
- A outra está do outro lado.
Tio Joaquim respondeu:
- Não meu filho, só há um alpargatas.
Eu aproximei do cavalo e verifiquei que só havia uma alpargata. Inicialmente pensei que era meu tio com brincadeira, porém logo percebi que havia perdido uma alpargata. Montei no cavalo, voltei até a cidade, perguntando a todos que encontrava se não haviam achado a alpargata e a resposta foi sempre a mesma: Não. Retornei para casa muito descontente. Em casa, meus pais tentaram me convencer que poderia comprar outras alpargatas, porém eu não me conformava. Passei o resto do dia triste, pois ao perder uma alpargata bonita como aquela não dava para me contentar.
À tardinha do mesmo sábado, sai de casa para dar água a meus animais, neste intervalo, chega Joaquim Batista e entre uma conversa e outra perguntou pelo cozinheiro e meu pai informou-lhe que tinha saído para dar águas a uns porcos, porém acrescentou que eu estava muito perturbado, pois havia ido a cidade comprar umas alpargatas e havia perdido uma no caminho. Joaquim Batista ouvindo esta afirmativa, dirigiu-se para sua carona e retirou uma alpargatas e disse para o nosso pai:
- Eu achei uma alpargatas, será que é esta a dele?
Nosso pai conferiu a outra e disse:
- É compadre.
Porém, minutos depois eu fui chegando e nosso irmão Elizeu gritou em voz alta:
- Pedro, Joaquim Batista achou tua alpargata!
Foi uma alegria grande quando vi que era verdade, minha alpargata tinha sido encontrada e no mesmo momento eu pensei comigo mesmo: "como é bom ser cozinheiro". Terminei meu curso médico, vim para Várzea Alegre e Joaquim Batista durante quinze anos que ainda viveu não pagou uma consulta médica para si, nem para sua esposa e seus filhos. Isto é que é gratidão e reconhecimento.

Doutor Pedro Sátiro

do seu livro "Minha vida Minha história"

*Ilustração do google

sábado, 7 de janeiro de 2012

SE QUERES


Se queres descobrir o amor em teu ser, primeiro observa o nascimento das flores sobre as pedras, o nascimento da borboleta em seu casulo tão limitado...Observa o sol nascendo e iluminando o que há pouco era só escuridão.
Se queres conhecer o amor, observa o movimento gracioso do vento entre as flores e vê as sementes sendo lançadas para outros solos, transformando-os, delicadamente, sem pressa. Observa a generosidade com que a natureza te acolhe, mostrando com seus movimentos a importância de te sentires como ela se sente.
Se queres compartilhar o amor, apenas estende tua intenção e ela chegará ao mundo e a ti retornará, trazendo-te as bênçãos de Deus que sorri com a tua conduta.
Se queres prosseguir com amor, procura viver de acordo com as virtudes que te foram dadas por Deus...
Se queres sentir o verdadeiro amor, entrega-te por completo nas mãos de Jesus e verás o milagre da vida acontecer em ti.

Contado por Padre Marcelo Rossi
Em seu livro "Momentos de Fé" página 32

POETA E POESIA


Na sua confusão interior
O poeta procura se encontrar
Construindo com palavras
Algo que o mundo desprezou


As letras escritas de sangue
Plasmam seu QI de sofrimento
O papel sorrir simiesco
Da sofreguidão vazia
Do pensador


A frase só fala para ele
Em lições de desdém e conselhos
O poeta reler contrafeito
Riscando a palavra crueldade


O lápis se mantém suado
Por entre os dedos gelados
O poeta rabisca a vida
Vendo-se num espelho de estragos.


José Cícero

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Dia de Reis


O Dia de Reis, segundo a tradição cristã, seria aquele em que Jesus Cristo recém-nascido recebera a visita de "alguns magos do Oriente" que, segundo o hagiológio, foram três Reis Magos, e que ocorrera no dia 6 de janeiro. A noite do dia 5 de janeiro e madrugada do dia 6 é conhecida como "Noite de Reis".

Histórico

A data marca, para os católicos, o dia para a veneração aos Reis Magos, que a tradição surgida no século VIII converteu nos santos Belchior, Gaspar e Baltazar. Nesta data, ainda, encerram-se para os católicos os festejos natalícios - sendo o dia em que são desarmados os presépios e por conseguinte são retirados todos os enfeites natalícios.

Tradições

Em alguns países, como Espanha, é estimulada entre as crianças a tradição de se deixar sapatos na janela com capim (erva) antes de dormir para que os camelos dos Reis Magos possam se alimentar e retomar viagem. Em troca os Reis magos deixariam doces que as crianças encontram no lugar do capim após acordar. A tradição também consiste em comer Bolo-Rei, no interior do qual se encontra uma fava e um brinde escondidos. A pessoa que encontra a fava deve "pagar" o Bolo-Rei no ano seguinte. Em frança (agora também noutros paises) come-se "Galette des rois" onde também encontram um brinde no seu interior, a galette também costuma trazer uma coroa, quem encontrar o brinde será rei e será coroado. Em Portugal e também em outros paises as pessoas que moram em pequenas terras costumam ir cantar os reis de porta em porta, as pessoas dão-lhes doces, salgados etc... No Brasil esta tradição é comemorada com festas onde é servido doces e comidas típicas das regiões. Há ainda festivais com Companhias de Reis (grupo de músicos e dançarinos) que cantam músicas referentes ao evento.

*Fonte Wikipédia

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

ZANGA DE VELHO


Quando eles se casaram, no ardor dos seus 20 e 18 anos (ele e ela), o mundo lhes parecia azul como viu Armstrong lá das alturas. Se não era assim, era melhor: - azul com umas bolinhas douradas! casamento "de gosto" de ambas as famílias, foi festa para durar três dias. Perus, capotes, capões cevados, um capado e mais vinte galinhas deram suas vidas, em holocaustos ao grande acontecimento, por todo esse tempo, a concertina, os pífanos, o zabumba, o triângulo, a rebeca e outros bichos de fazer zoada encheram de samba e de festa a casa do pai da feliz noiva ou do pai do venturoso noivo, alternadamente. Ninguém sabe quanto foi consumido de vinho de jurubeba, licor de jenipapo e branquinha de acarape. Foi coisa pra ficar na história e por anos ser comentada.
Quem me contou o "causo" foi vovô Acelino e, mesmo fato passado, há quase um século, omito os nomes dos personagens para evitar que algum deles - ou seus descendentes - me venha puxar as orelhas. Basta que os chame de Félix e Aninha. Casados e de mãos dadas, naquele juramento que uniria até a morte, foram para o seu novo ninho, na Aba da Serra. Aninha herdara da mãe aquele gosto pelas coisas da , a dedicação ao jovem marido, o cuidado e zelo das vaidosas jovens-senhoras. Ao redor da morada, o terreiro limpo bem ciscado, um banquinho de pedra, uns canteiros de margaridas, uns pés de jasmim que subiam pelas pilastras do alpendre. Dentro, umas combucas, uns "cacos" onde vicejavam essas plantinhas dengosinhas, mimosas, que mais gostam dos ambientes sombrios. Félix, por sua vez, um mouro nos trabalhos das roças, se desdobrava em atenções e afeto à sua companheira. Leal e ativo, bravo e lutador, enchia os campos com o seu labor e sementes e os paióis da casa do que necessário fosse.
Nessa harmonia, neste mútuo e enlevado entendimento, foi a casa, também, enchendo-se de filhos. Ano após ano, surgiam novos rebentos, novas flores despontavam. Entre as roseiras e cravos, ali plantados, parecia, também, plantada a árvore da ventura. A todos enchia de inveja o congraçamento e tão forte era a união de toda aquela gente. Como eram felizes, diziam todos! O tempo, o implacável marcador de rugas e cabelos brancos, foi chegando de mansinho e deixando seus traços naquele casal que partira, um dia colocando seus sonhos acima das estrelas. E, com as rugas... coisa de nome parecido: - as "rusgas!" Pequenos desentendimentos, ligeiros bate-bocas, os chamados amuos... A velhice (que não falta aos que não morrem jovens!) foi chegando e, com ela, a irritação, os gestos neurastênicos. "Nada mais infeliz que uma velhice intranquila, sem sossego, sem paz", disse com muita senectude sem rumo, sem segurança. Não fugindo à regra geral, o nosso jovem Félix passou a ser chamado o velho Félix da Aba da Serra.
Já passava dos setenta e lá vai pedra... quando as medidas se lhe encheram da noite para o dia, saiu de casa, sem bilhete, sem recado e desapareceu. Cadê ele? O que foi que houve? todos se perguntavam e a resposta era o clássico "ninguém sabe!" A família toda, como natural, se encheu de apreensão e tristeza. Fez buscas, tentativas para encontrá-lo, mas, tudo em vão. Aninha - agora - a velha Ana - mulher de capricho e fibra, foi se conformando e esquecendo, coisa no que o tempo ajuda. Ingratidão, desamor, caduquice... cada um dava ao episódio sua classificação - pedida, ou não! O certo é que, por muito tempo, não se teve mais notícia do fugitivo. O velho resolutamente, arrumara a maca e a caíra nos "bredos".
Um dia, porém, (há sempre um dia, nessas histórias!) conversa-vai-conversa-vem, descobriram que o "exilado" tava morando em Amarante, no Piauí. Será verdade perguntavam todos, e a família se reuniu "em sessão plena", resolvendo tirar a coisa a limpo. Um "positivo", emissário de confiança, foi mandado às plagas piauiense. Você pensa foi fácil, messo numa cidade pequena, descobrir o paradeiro velho Félix? Mas, nosso investigador tinha tino de Sherlock o faro desses cães policiais de busca. Ninguém dava notícias do tal procurado. Andou, virou, mexeu, escavacou, sem perder a esperança de encontrá-lo. Na feira, por acaso, viu um menino vendendo uns "tabaqueiros", que eram a "marca registrada" do velho. De mansinho, como quem não quer, querendo, foi ao garoto. Deus-lhe uma "salivada", comprou um e terminou descobrindo onde morava o famoso artesão dos tabaqueiros.
Foi lá e, sem maior dificuldade, deu-se a conhecer e falou de sua importante missão: - levá-lo de volta à família, que chorava e reclamava sua ausência. Sentados em banquinhos de madeira, na sala, discutiram os prós e contras, os "sins" e os "senões". O velho, relutante, teimoso, sem querer voltar! A argumentação do enviado diplomático foi a mais forte e tocante: - as lágrimas e temores da família, os cometários dos amigos e não era possível que São Raimundo Nonato concordasse com aquilo! O velho se balançou nas suas bases, fez fincapé na sua trincheira... as terminou concordando em voltar. Marcado o regresso, lá se vão, pelos caminhos que trazem de volta o filho pródigo, Félix e seu anjo da guarda. Durante a viagem aquela conversa mole de amaciar coração, desanuviar espírito, trá-lá-lá... Vai nascendo, na alma do velho, aquele sentimento de renúncia, perdão, contemporização. Nada como o "lar, doce lar", argumentam os dois.
Depois de longa viagem, chegando à Aba da Serra, à porta da casa que espera o "arrependido", com um abração, separam-se os caminhantes amigos. Na mais bruta calma e serenidade, Félix pendurou a maca num torno que havia no alpendre e se sentou num banquinho, seu velho conhecido. As roupas, surradas da caminhada, os cabelos e a barba, crescidos e embranquecidos, davam-lhe um ar de ermitão dos desertos. Decorrida mais ou menos meia hora, a velha Ana apareceu, casualmente, e, debruçando-se na meia-porta de baixo deu com a figura paciente do velho marido, aquele, com o qual jurara, há mais de cinquenta anos, "marchar juntos e de mãos dadas, por toda a vida". Olhou, ironicamente, para ele e, a boca mole desdentada, a cara lambuzada de farinha, as mãos postadas na rotunda "garupa", só fez dizer: -
- Por onde tanto andou, que tão bom cabelo criou?
O velho Félix da Aba da Serra (nem sei que sentiu!) levantou-se, de vez, tirou a maca do torno e sem dizer uma palavra, novamente, meteu na estrada seus passos vigorosos e tomou rumo rumo da Paraíba. Até Hoje ninguém deu mais notícias dele. Taí em que zanga de velhos... coisinha "renitente!".
Atenção, gentil leitora, não leia o que se segue: - é pura pornografia, safadeza das mais grossas! Disse-me, certa vez, um neto do velho Félix que o que motivou a revolta e saída do seu venerável avô foi a falta de decoro e compostura de D. Ana, que, já passada dos sessenta - quando devia se dar mais a respeito! - usou, na festa de São Raimundo, um vestido curto, escandaloso, indecente que a todos mostrava as "bolachas" dos tornozelos! Tem jeito uma coisa desta?
(Garanto que você leu este pedacinho, só pela "advertência)

Dr. José Ferreira
Médico e escritor varzealegrense

de seu livro Contos estranhos